“Ela soube deixar as melhores lembranças e sentimentos
em nossos corações” 

Marizelli Armelinda Dias 

26/03/1988 - 15/09/2019

NOSSA HOMENAGEM

Este Site é uma homenagem a Marizelli Dias, a melhor mãe, amiga, filha, irmã, prima, tia, cunhada, conselheira. Mulher guerreira, daquelas que faz a hora e não espera acontecer.

Zelli Modiolly, seu sobrenome artístico que ela inventou e se orgulhava, nos rendeu muitas risadas, aí já demonstrava a sua vontade de ser diferente, de ser mais, de alcançar mais. Mas ela era diferente mesmo, - Véi, boooora meu irmão, tu num vai não, se tu num for eu vou assim mesmo, fui!.... kkkk, saudades. A conheci na escola CEM 304 de Samambaia, a turma era o 1º Ano A, ano 2002, ela estava com um violão na sala e eu sentei do lado dela cheio de pompa, quando ela me pergunta: - Iaí rapá, tu toca também, sabe como fazer um Dm7+ ?... Eu disse: - Essa nota não existe não, só vai até o Dm !... Que vergonha, eu só tinha aprendido até aí do violão e queria parecer que entendia da parada, coisa de homem sem noção, imaginem, começamos a discutir.. não é não, é sim, não é não, é sim....

Bom, ela comprou uma revista de notas musicais, acabou me ensinado como era, nos tornamos melhores amigos e eu descobri um outro mundo kkkk. Muitos amigos em comum vão descobrir agora que não somos irmãos de sangue, mas com certeza fomos em outra vida, por que daí em diante não nos separamos mais, e para todos da sala e da escola e todos que vieram depois, eu a apresentava como minha irmã e ela me apresentava como seu irmão, "minha maninha". Ainda tinha outra figura importante na história, ela aparecia de vez em quando e colocava a cara na porta ou aparecia no recreio, Mariza, sua irmã super protetora que fazia a garantia da lei e da ordem, quem conhece sabe, rsrs. Depois da confiança eu ganhei mais uma irmã e depois uma mãe, que hoje é minha madrinha, dona Cida, ou dona Maria como gosto de chamá-la, e o André, meu cunhado e padrinho hahaha, vejo ele rindo lendo essa parte.

 

Na escola Marizelli gaguejava um pouco nesse tempo, mas não se intimidava, ia lá e apresentava seu dever na sala de aula sempre muito estudiosa, argumentativa, questionava, debatia e aprendia rápido o que não sabia. Tinha na música a sua paixão incondicional, quando o gaguejo sumia,  e tinha o desejo de grandes artistas na música. Mas também tinha nos estudos a esperança de um futuro melhor para sua família. Desde cedo já era famosa na QR 307 e arredores, conhecida e admirada por todos ali na Igreja Católica Beato Jose Allamano, onde cantava com um grupo de jovens amigos nas missas por longos anos, sei que eles devem ter muitas histórias emocionantes. Foi Marizelli quem me levou a entrar pela primeira vez em uma igreja católica, até então só conhecia a Assembléia de Deus, de onde vem minhas raízes de família. Ela levava sua banda pra escola e fazia uns shows legais, muito divertidos, digo a vocês que foram maravilhosos tempos. Adivinhem, foi com ela que fiz a minha primeira apresentação em público. A escola inteira observando, ela estava de pé toda confiante e eu sentado com um violão no colo nervoso e de cabeça baixa, - Jad, levanta a cabeça menino. Sorrindo ela disse. Não me lembro quando passaram a me chamar de Jad, acho que foi ela também, com certeza. Nesse dia conheci a música, Noites Traiçoeiras, ela cantou com um certo esforço, pois era a canção que lembrava do velório do Pai dela, me contou depois. 

Nós éramos a dupla musical da escola, mas vamos adiantar um pouco porque as histórias engraçadas foram muitas e muitos amigos entre nós para contar aqui, como a feira de ciências que fomos uma dupla de repentistas e fizemos sucesso, ou quando num festival de dança faltou par masculino e ela se vestiu de homem..... aiai, um dia faremos uma fogueira e assaremos uns marshmallows para contar. 

A BANDA VÁLVULA DZ6

Quando finalizou o Ensino Médio a gente sempre discutia que tínhamos que estudar para concurso e coisa e tal, quando um belo dia eu estava na Biblioteca do CEM 304 iniciando pela primeira vez uma empreitada para concurso, e me aparece o professor de Artes Paulo Z perguntando se eu queria participar de um projeto chamado "Periférico 304", um filme a ser rodado em Samambaia e que nós faríamos a trilha sonora, "chama a sua irmã", disse. Nesse dia "joguei" os livros para cima e fui atrás da Marizelli, - Maninha, temos que montar uma banda, já tô escrevendo umas músicas e vamos gravar para um filme aí.... no que ela prontamente disse: - Oxi bora, como é isso mesmo? kkkk. 

Bom, resumindo, entrou o nosso amigo Mizael Cosmo com seus irmãos e primos super talentosos, montamos a banda e gravamos um CD DEMO com 8 músicas + 1 tema especial em pouco mais de 3 meses. Gravamos o Filme "Periférico 304", tá aí no Youtube, assistam. 

Sempre corria na casa dela para mostrar uma musica nova, ali na cozinha, mostrava a letra e cantávamos quando era uma letra pra nós dois e mostrava quando a música era para ela. Em meia hora já tava pronta, ela era rápida

 

Para os ensaios e shows pelo DF que vieram depois, eu ia busca-la com minha moto Biz azul super potente, a Cremilda, hahaha. Ela dizia nesses caminhos, - Jad, será que um dia seremos famosos? as pessoas nos vêem aqui passando pra cima e pra baixo e nem sabem né!... kkkk, aiai, lembro, choro, dou rizada aqui recordando. Eu botava total fé, acreditava até mais, dizia que sim, que seríamos famosos e cantaríamos pelo País, era um sonho que tínhamos. Sempre escrevi as músicas para nós dois, metade pra mim e metade pra ela.

 

Fizemos muitas apresentações pequenas e grandes shows, a banda teve muitas transformações e passaram muitos amigos queridos  e talentosos como o guitarristas Léo que arranjou muitas das nossas canções e nosso outro guitarrista Filipe Carvalho que produziu nosso último CD, Mizael baterista sempre presente nas gravações. Nesse nível de tempo de trabalho me recordo guando a coisa se inverteu lá no nosso primeiro grande Show, em quê Zelli para subir ao palco, muito nervosa, precisava tomar uma "pinga no bambu", eu não gosto de bebida e achava ruim, brigava com ela e depois ria, porquê ali eu não tinha mais vergonha ou sentia qualquer nervosismo para cantar em público, seja o tamanho que fosse, e tudo saiu dela, foi com ela que aprendi e evoluí, tive dela toda a segurança no palco e depois passei a lhe dar a mesma segurança quando ela precisava. A gente combinava no palco.

As músicas que estão aqui, como Banda Válvula Dz6 no CD Lua Linda, foram gravadas quando estávamos somente eu e ela, sem banda fixa, com a ajuda do produtor Filipe Carvalho, nós parcelamos em 10x e pagamos mês  a mês, e gravamos nossas músicas de forma mais profissional Finalizamos em 2012 e de lá até aqui ficou na "gaveta", pois em seguida ela deixou a banda.

 

"Muita água se passou por baixo do rio".... Marizelli saiu da banda num belo dia em que decidiu casar e ter filhos. Acho que aí já estávamos maduros o suficiente pra saber que as coisas não eram tão fáceis assim para fazer sucesso. De qualquer modo foi uma grande decisão, ela se tornou uma mãe maravilhosa e evoluiu muito como pessoa.

Desde então eu segui esse sonho sozinho, com toda a dificuldade de aprender a estar no palco sem Marizelli, ela fazia muita falta e ainda faz até hoje. Parei de fazer show com a banda a alguns poucos anos, mas não de cantar. Essas músicas que compartilho com vocês é a eternização do seu talento na músicas, para aqueles que não sabiam que ela cantava assim, e para aqueles que poderão ter uma lembrança nova e prazerosa para guardar. 

Nos últimos tempos estivemos mais distantes, ela na vida de estudo intenso na faculdade, trabalho, filhos, ex-marido, e eu na minha vida que não cabe em 24h do dia, mas sabíamos que estávamos de pronto a qualquer momento caso precisássemos um do outro. Tive a honra de ser padrinho do Érick, seu primeiro filho, não sou um bom padrinho sabe, no sentido de presença, me falta tempo para tudo, mas nessa minha vida corrida ainda vou aprender a ser. Quantas vezes ela dizia, - Jad tu tem que parar, trabalha de mais véi.....

Quando ela passou pro Bombeiro DF, foi uma felicidade para todos, eu fiquei orgulhoso, karambaaaa a Marizelli é incrível, foi lá e conquistou apesar das dificuldades, garantiu um futuro para seus filhos e deu mais orgulho para a família e a quem mais a admirava. Temos certeza que assim como ela era destaque na música, na escola, na família e com os amigos, ela foi destaque no tempo que passou no Bombeiro. Deve ter mostrado lá quem ela era, da sua honestidade e da sua garra em dobrar qualquer dificuldade. Liderança, certeza que ela seria chefe do Bombeiro DF um dia, nós a conhecemos e sabemos que sim. Ela era foda véi.

 

Na semana da sua partida eu fui a casa da "dona Maria", achei que a encontraria lá, estava em seu apartamento onde ela mesma montou os móveis, literalmente, e outras coisas como a Mariza conta. Nos falamos por telefone. Falamos que tínhamos que nos ver, colocar os papos em dia e tals, brincamos sobre apagar fogo. Não sabia que era a última vez que falaria com ela, eu perdi esse abraço, talvez seja o que mais entristece quando penso.  

Trabalhando em casa, vi a notícia no jornal pela manhã cedo, sem muitas informações, mas não quis abrir, não acreditava que poderia ter sido ela, entre tantas pessoas né. Mais tarde minha mulher me disse assustada, e o medo se confirmou. Inacreditável, ainda é inacreditável, ela ainda é muito presente e assim teremos que conviver. Ainda é como se eu ligar agora e ela vai atender, - Jaaaaaad, e ai maninho. Mas não vai. Nos deixou duas crianças lindas, o Érick esperto e inteligente, e a Ranielle amorosa e meiga. Ficamos todos com a missão de dizer a elas quem foi a sua mãe e como ela viveu entre nós. 

Marizelli mudou-se para o céu, chamada por Deus em 15 de Setembro de 2019, enquanto nobre e bravamente, combatia um incêndio florestal. Nem era o dia de serviço dela, só Deus sabe o porquê de ela estar lá, e de não poder aproveitar essa grande conquista na sua vida de ser Bombeira, profissão tão linda. 

Em sua homenagem, no dia de seu aniversário, em 26/03/2020, disponibilizo aos amigos e amigas as músicas do nosso CD DEMO gravado em 2007 e os arquivos inéditos, nunca compartilhados do nosso único e último CD profissional que gravamos, onde guarda e eterniza a sua bela voz.

Não entendam mal, mas tive que colocar um valor simbólico para baixar as músicas de Lançamento, para as custas e manutenção desse site, com um limite a alcançar. Também é uma forma de valorizar o Artista.

OBS: Não sou jornalista, então me deem crédito pela maneira que gosto de escrever, tipo redes sociais, com minhas reticências e acentos, ta bom. Obrigado por estarem compartilhando esse momento conosco. 

Dedico essa Homenagem a Mariza, André, Dona Cida, Érick e Ranielle.

"É tão estranho, os bons morrem cedo....".

Jad Teles.

LANÇAMENTO

Contribua e compre o nosso Álbum para ajudar no custo e manutenção deste Site até chegar ao valor total de R$812,00

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© 2023 por Ellie Adams. Orgulhosamente criado com Wix.com

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Ficha Técnica - CD / LUA LINDA

 

Jad Teles - Intérprete, Letra, Música, Direção Artística, Co-produção.

Zelli Modiolly - Intérprete.

Felipe Carvalho - Produtor Geral, Arranjos de Guitarra e Violões.

Léo kairos - Arranjos de Base.

Mizael Cosmo - Bateria.

Wesley - Piano, Cordas.

Becking Vocals – Flávio Franklin e Dani

Amós Carvalho - Mixagem e Masterização

Gravação - Estúdio Zero 11

 

Música - Cartas de Amor

André Barros - Letra

 

Música Bonus - O Que é o Amor

Jad Teles - Letra e Música

Marco Verde - Produção, Mixagem e Masterização

Gravação - Estúdio Play Records

Ficha Técnica - CD DEMO

 

Jad Teles - Intérprete, Letra, Música

Zelli Modiolly - Intérprete

Marco Verde - Mixagem

Mizael Cosmo - Bateria, Direção Artística

Ismael Cosmo - Arranjos de Guitarras

Oziel Cosmo - Contra-baixo

Levi - Violão

Gravação - Estúdio Play Record

Ano - 2007

Site em Construção

Site produzido por DZ6 Producõess Culturais e Artísticas

CNPJ: 22.878.550/0001-40

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